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Morningness-Eveningness Questionnaire (MEQ): Tradução, Adaptação 

Cultural e Validação 

Morningness-Eveningness Questionnaire (MEQ): Translation, Cultural Adaptation and 

Validation 

DOI: 10.24933/e-usf.v10i1.482 

 

Paulo Toshio Abe

1

; Gilmar Fernandes do Prado

2

; José Fausto de Morais

3

; Luciane Bizari 

Coin de Carvalho

4

 

1

Programa  de  Pós-Graduação  em  Medicina  Translacional,  Escola  Paulista  de  Medicina, 

Universidade Federal de São Paulo. ORCID 0000-0002-6910-4081. toshio2103@gmail.com 

2

Professor  Doutor  do  Departamento  de  Neurologia  e  Neurocirurgia,  Escola  Paulista  de 

Medicina,  Universidade  Federal  de  São  Paulo.  ORCID  0000-0002-3383-8198. 
gilmarunifesp@yahoo.com.br 

3

Professor  Doutor  de  Estatística  Associado  IV  do  Instituto  de  Matemática  e  Estatística  da 

Universidade  Federal  de  Uberlândia,  Minas  Gerais.  ORCID:  0000-0002-0808-0477. 
jfmorais@ufu.br 

4

Professora  Doutora  do  Departamento  de  Neurologia  e  Neurocirurgia,  Escola  Paulista  de 

Medicina, Universidade  Federal  de  São  Paulo.  ORCID  0000-0003-1733-3023. 
lucianebizari13@gmail.com 

toshio2103@gmail.com 

 

RESUMO

. Objetivo: Tradução, adaptação cultural e validação do Questionário Morningness-

Eveningness (MEQ). Método: A versão do MEQ para o Português do Brasil obedeceu às etapas 
de tradução, retrotradução (

back-translation

), avaliação da equivalência semântica da tradução 

e retrotradução por especialistas e prova técnica. O MEQ (BR) foi posteriormente aplicado a 
97 voluntários, de ambos os sexos, com idade entre 19 e 83 anos, do ambulatório da Neuro 
Sono, da disciplina de Neurologia do Hospital São Paulo. A partir dos dados coletados foram 
realizados  testes  estatísticos  que  possibilitaram  avaliar  as  propriedades  psicométricas  das 
escalas através da análise da confiabilidade e validade de critério. Resultados: 97 participantes 
responderam ao questionário sendo 56 (57,7%) pessoas do sexo feminino. A média de idades 
dos  participantes  foi  de  49,0±17,9  anos.  Considerando  os  cronotipo  dos  participantes,  12 
(12,4%)  foram  classificados  como  tipo  Matutino,  32  (33,0%)  como  tipo  Moderadamente 
Matutino, 11 (11,3%) como tipo Moderadamente Vespertino e 42 (43,3%) como nenhum tipo. 
A  consistência  interna  representada  pelo  coeficiente  Alfa  de  Cronbach  e  pelo  Ômega  de 
McDonald apontam para uma confiabilidade adequada para o instrumento. O coeficiente kappa 
demonstrou uma concordância moderada (k=0,48).  Conclusão: O instrumento 

Morningness-

Eveningness Questionnaire

 - MEQ (BR) traduzido para o português do Brasil, apresentou boas 

propriedade psicométricas confirmadas por um nível adequado da confiabilidade e da validade 
de critério. As equivalências semântica, cultural, conceitual e idiomática foram realizadas de 
foram satisfatória e tiveram boa compreensão das pessoas avaliadas. Não houve necessidade de 
mudança na comunicação visual do questionário.    

 
Palavras-chave

:  Cronotipo,  Ritmo  circadiano,  Psicometria,  Transtornos  do  Sono, 

Reprodutibilidade dos Testes. 
 

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ABSTRACT.

 Objective: Translation, cultural adaptation and validation of the Morningness-

Eveningness  Questionnaire  (MEQ).  Method:  The  MEQ  version  for  Brazilian  Portuguese 
followed the steps of translation, back-translation, assessment of the semantic equivalence of 
the translation and back-translation by specialists and technical test. The MEQ (BR) was later 
applied to 97 volunteers, of both genders, aged between 19 and 83 years, from the Neuro Sono 
outpatient clinic, from the Neurology discipline at Hospital São Paulo. Statistical tests were 
performed  based  on  the  collected  data,  which  made  it  possible  to  assess  the  psychometric 
properties of the scales through the analysis of reliability and criterion validity.  Results: 97 
participants answered the questionnaire, 56 (57.7%) of whom were female. The mean age of 
participants was 49.0±17.9 years. Considering the chronotypes of the participants, 12 (12.4%) 
were classified as the Morning type, 32 (33.0%) as the Moderately Morning type, 11 (11.3%) 
as  the  Moderately  Evening  type  and  42  (43.3%)  as  Neither  type.  The  internal  consistency 
represented  by  Cronbach's  Alpha  coefficient  and  McDonald's  Omega  point  to  adequate 
reliability  for  the  instrument.  The  kappa  coefficient  showed  moderate  agreement  (k=0.48). 
Conclusion: The Morningness-Eveningness Questionnaire - MEQ (BR) instrument, translated 
into  Brazilian  Portuguese,  showed  good  psychometric  properties  confirmed  by  an  adequate 
level  of  reliability  and  criterion  validity.  The  semantic,  cultural,  conceptual  and  idiomatic 
equivalences  were  performed  satisfactorily  and  had  a  good  understanding  of  the  evaluated 
people. There was no need to change the visual communication of the questionnaire. 

 
Keywords

: Chronotype; 

Circadian Rhythm; Psychometrics; Sleep Disorders; Reproducibility 

of Results.

 

 

INTRODUÇÃO 

 

O  estudo  sobre  o  sono  tem  despertado  muito  interesse  em  relação  aos  processos 

fisiológicos do ser humano em desempenhar suas funções durante as 24 horas do dia. Durante 
este período é comum observarmos diferentes respostas relacionadas ao desempenho físico, 
cognitivo e comportamental que muitas vezes são consequências do seu ritmo biológico. 

No ser vivo é evidente a presença do ritmo que é definido como “um processo que 

varia  periodicamente  no  tempo”  e  está  associado  a  um  ciclo  geofísico  denominado  ciclo 

claro/escuro,  conhecido  como  ciclo  circadiano,  caracterizado  por  ritmos  com  períodos 
endógenos  e  ciclos  ambientais  de  24  horas  (Marques  et  al.,  2003;  Benedito-Silva,  2008; 
Benoliel et al., 2021). 

Este caráter próprio e endógeno dos ritmos biológicos, responsáveis pelo ciclo sono-

vigília em mamíferos incluindo o ser humano, é gerado pelo núcleo supraquiasmático (NSQ). 
Esses núcleos são marca-passos do nosso dia a dia que contam com a capacidade antecipatória 
dos temporizadores ambientais chamados de 

zeitgebers

, que fazem a preparação do organismo 

da passagem do estado do sono à vigília. (Benedito-Silva, 2008) 

O ser humano tende  a ser ativo durante o dia  e descansar no período da noite. Em 

muitas  ocasiões  da  vida  cotidiana  contemporânea,  temos  que  desempenhar  funções  em 
momentos  não  muito  agradáveis  para  satisfazermos  as  necessidades  de  vida  provendo  o 
sustento para a aquisição de alimentos e bens materiais além das atividades sociais. 

A preferência pessoal para o período do descanso é descrita como cronotipo e este está 

relacionado  ao  ciclo  sono/vigília  podendo  ser  classificado  como  matutino,  vespertino  e 
indiferente. Esse comportamento ocorre em virtude da adaptação do relógio biológico ou ritmo 
biológico  ao  ciclo  geofísico,  que  determina  adaptações  a  todos  os  seres  vivos  somado  ao 

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ambiente na qual ele habita. As adaptações influenciadoras do sono incluem, além do relógio 
biológico, fatores externos como a luminosidade, o horário de trabalho, o horário escolar, os 
compromissos sociais e o horário de preferência para dormir (Andrade et al., 2003; Korczak et 
al., 2008; Carvalho-Mendes e Menna Barreto, 2022). 

A  partir  das  diferenças  individuais,  podemos  classificar  os  indivíduos  que  têm 

preferência em dormir e acordar cedo e que apresentam um bom desempenho físico e mental 
para  as  suas  atividades  pela  manhã  em 

matutino

s”

.  Aqueles  com  preferência  em  dormir  e 

acordar tarde e que apresentam bom desempenho em suas atividades pela tarde ou mesmo no 
início  do  período  noturno  são  classificados  em 

vespertinos

.  Há  ainda  os  indivíduos  que 

apresentam uma flexibilidade em se adaptar aos horários de acordo com as suas necessidades 
que são classificados como intermediários (Horne, Östberg, 1976; Korczak et al., 2008; Meira 
Jr et al., 2016). 

Levandovski et al. (2013) em seu artigo de revisão relatam que o questionário mais 

utilizado para estimar preferências de fase em ritmos circadianos, com base na autodescrição 
dos participantes, é o Morningness-Eveningness Questionnaire

 

(MEQ) de Horne e Östberg. 

 

O objetivo deste trabalho foi traduzir, adaptar culturalmente e validar o MEQ para o 

português do Brasil, avaliando suas propriedades psicométricas em uma amostra representativa 
da população brasileira. 
 

METODOLOGIA 

 

O  presente  estudo  foi  submetido  ao  Comitê  de  Ética  em  Pesquisa  da  Universidade 

Federal  de  São  Paulo  -  Projeto  CEP/UNIFESP  n:  0892/2018  e  aprovado  sob  o  parecer  nº 
2.877.392. A participação na pesquisa foi voluntária, sendo garantido o anonimato e o sigilo 
das  informações  mediante  a  assinatura  do  Termo  de  Consentimento  Livre  e  Esclarecido 
(TCLE), seguindo os preceitos da Resolução nº.466/12 do Conselho Nacional de Saúde. 

Morningness-Eveningness Questionnaire 

 MEQ, é um instrumento construído para 

determinar  o  cronotipo  baseado  nas  preferências  de  determinados  períodos  de  tempo.  Ele  é 
composto por 19 questões que avaliam subjetivamente a preferência de horário para levantar e 
deitar, praticar atividades físicas e mentais e nos estados em que a pessoa estaria mais alerta 
que ao final propõe, uma classificação em cinco categorias de cronotipos: vespertino (16 a 30 
pontos);  moderadamente  vespertino  (31  a  41  pontos);  nenhum  tipo  (42  a  58  pontos); 
moderadamente matutino (59 a 69 pontos) e matutino (70 a 86 pontos). 

 

Participantes 
 

A  amostra  consistiu  em  97  voluntários,  sendo  56  (57,7%)  do  sexo  feminino  e  41 

(42,3%) do sexo masculino, com idades entre 19 e 83 anos. Os participantes foram recrutados 
no Ambulatório de Neuro-Sono do Hospital São Paulo. 

 

Procedimentos 

 

Seguindo as diretrizes de Beaton et al. (2000), o processo de adaptação envolveu: 

a)

 

Tradução para a língua portuguesa

 

 

o

 

questionário original em inglês foi entregue 

a duas pessoas fluentes na língua inglesa para ser traduzido para o português, um 
professor  de  inglês  e  uma  profissional  da  área  de  saúde,  dando  origem  a  duas 

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versões.  Essas  versões  foram  comparadas  pelos  colaboradores  da  pesquisa  para 
uma versão única e unanime.

 

b)

 

Tradução para a língua inglesa 

 de acordo com Souza et. al. (2021), a versão da 

tradução inicial deve ser avaliada pelo processo de 

backtranslation

 

 retrotradução 

onde  a  versão  em  português  foi  retraduzida  para  o  inglês,  para  realização  da 
apreciação formal da equivalência e adaptação das versões, com a versão original 
do MEQ (Berger et.al., 2004).

 

c)

 

Apreciação  formal  de  equivalência 

  etapa  para  determinar  a  versão  final  da 

tradução para a língua portuguesa (BR) de cada pergunta.

 

d)

 

Prova técnica 

 teste do questionário em 10 indivíduos para avaliação da clareza. 

A  figura  1  apresenta  a  versão  final  em  português  do  Morningness-Eveningness 
Questionnaire  (MEQ-BR)

  que

  foi  aplicada  aos  voluntários  do  ambulatório  do 

sono, da disciplina de Neurologia do Hospital São Paulo 

 SP.

 

e)

 

Validação  estatística:  Aplicação  do  questionário  na  amostra  final  e  análise  das 
propriedades psicométricas.

 

 

 

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Figura 1

 

 Versão final do Morningness-Eveningness Questionnaire (MEQ-BR) 

 

Fonte: Próprio autor. 

 

 

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Figura 1. Continuação

 

 Versão final do Morningness-Eveningness Questionnaire (MEQ-BR) 

 

Fonte: Próprio autor. 

 

 

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Figura 1. Continuação

 

 Versão final do Morningness-Eveningness Questionnaire (MEQ-BR) 

 

Fonte: Próprio autor. 

 

 

 

 

 

 

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Figura 1. Continuação

 

 Versão final do Morningness-Eveningness Questionnaire (MEQ-BR) 

 

Fonte: Próprio autor. 

 

Análises Estatísticas 

 
Para  a  caracterização  da  amostra,  variáveis  contínuas  foram  expressas  por  meio  da 

média e desvio padrão e variáveis categóricas por meio da distribuição de frequências (tabela 
1). 

Utilizou-se a estatística descritiva através da média, o desvio padrão, a estatística W 

de Shapiro-Wilk e a correlação item total (CIT) para as 19 questões e o escore da escala de 
todos os participantes. A estatística W de Shapiro-Wilk avalia a normalidade da distribuição, 
hipótese necessária para selecionar adequadamente testes de significância (tabela 2). 

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A confiabilidade (tabela 3) foi avaliada pelo coeficiente Alfa de Cronbach e Ômega 

de McDonald. A validade de critério (tabela 4) foi analisada comparando a classificação do 
MEQ-BR  com  a  avaliação  de  especialistas  (Landis,  Koch,  1977).  A  validade  de  constructo 
(figura 1) foi examinada por meio de Análise Fatorial Exploratória (AFE) e Análise Fatorial 
Confirmatória (AFC). 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

 

Na tabela 1 está demonstrada a distribuição dos participantes cuja amostra consistiu 

em  97  participantes  (anexo  3),  56  (57,7%)  pessoas  do  sexo  feminino,  41  (42,3%)  do  sexo 
masculino. 31 (32,0%) tinham menos de 40 anos, 36 (37,1%) de 40 à 60 e 30 (30,9%) tinham 
mais de 60 anos. A média de idades dos participantes foi de 49,0±17,9 anos, sendo que o grupo 
feminino  tinha,  em  média,  46,6±18,6  anos  e  o  masculino  52,2±16,6  anos,  a  diferença,  no 
entanto, não foi significante (p = 0,132).  

Considerando o escore da MEQ, o valor médio foi de 56,5±10,6 pontos. No grupo 

feminino o valor médio do escore foi 55, 9±10,7 pontos e no masculino foi 57,4±10,7 pontos, 
a diferença, no entanto, não foi significante (p = 0,483). 

Considerando  o  cronotipo  dos  participantes,  avaliado  pelo  escore  da  escala  MEQ, 

observa-se  que  12  (12,4%)  foram  classificados  como  matutino  (M),  32  (33,0%)  como 
moderadamente  matutino  (MM),  11  (11,3%)  como  moderadamente  vespertino  (MV)  e  42 
(43,3%) como nenhum tipo (N). 

Na  avaliação  do  especialista  foi  constatado  o  “atraso  de  fase”  em  18  participantes 

(18,6%) (quadro 1). 

Os  resultados  sugerem  que  o  MEQ-BR  é  um  instrumento  confiável  e  válido  para 

avaliar cronotipos na população brasileira. A confiabilidade  encontrada foi semelhante à de 
estudos internacionais (Horne & Östberg, 1976; Levandovski et al., 2013). 

A adaptação cultural garantiu equivalência semântica e idiomática, permitindo que o 

questionário fosse compreendido de maneira clara pelos participantes. A validade de critério, 
confirmada pela correlação com a avaliação de especialistas, reforça a precisão do instrumento. 
 

Tabela 1 

 

Distribuição dos participantes por sexo, idade, cronotipo e atraso de fase. 

 

 

Sexo 

 

 

Todos 

Masculino 

Feminino 

Amostra 

97(100,0) 

41(42,3) 

56(57,7) 

 

Idade 

 

 

 

 

< 40 

31 (32,0) 

10 (24,4) 

21 (37,5) 

 

40 a 60 

36 (37,1) 

17 (41,5) 

19 (33,9) 

 

> 60 

30 (30,9) 

14 (34,1) 

16 (28,6) 

 

Média

DP 

49,0

17,9

 

52,2

16,6

 

46,6

18,6

 

0,132

(2)

 

Escore MEQ 

 

 

 

 

Média

DP 

56,5

10,6

 

57,4

10,7

 

55,9

10,7

 

0,483

(2)

 

Cronotipo 

 

 

 

 

12 (12,4) 

  6 (14,6) 

 6 (10,7) 

 

MM 

32 (33,0) 

14 (34,1) 

18 (32,1) 

 

MV 

11 (11,3) 

  5 (12,2) 

 6 (10,7) 

0,881

(1)

 

42 (43,3) 

16 (39,0) 

26 (46,4) 

 

Classif. Especialista 

 

 

 

 

Matutino 

79 (81,4) 

36 (87,8) 

43 (76,8) 

 

Vespertino 

18 (18,6) 

 5 (12,2) 

13 (23,2) 

0,265

(3)

  

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10 

 

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Fonte: Próprio autor. 

 
 

Quadro 1. 

Atraso de fase segundo avaliação do especialista. 

 

Classificação 

pelo MEQ 

Classificação pelo 

Especialista com 

"atraso de fase" 

12 

MM 

32 

43 

MV 

11 

Total 

98 

18 

Fonte: Próprio autor. 

 

A  partir  da  avaliação  das  propriedades  psicométricas,  o  presente  questionário 

traduzido  e  adaptado  para  o  português  (Brasil 

  BR),  apresentou  valores  de  confiabilidade 

adequados, conforme aponta o estudo de Azevedo (2013) para a Correlação Item-Total (CIT), 
em que nenhuma questão foi excluída apesar de observarmos valores da CIT abaixo de 0,20 na 
Q2 e na Q14. O fato é que os valores da CIT correspondem à correlação entre a questão e o 
escore da escala, podendo ser utilizada como uma medida da consistência interna da escala. 
Outra razão para a não exclusão da Q2 e da Q14 está na relação diretamente proporcional entre 
os valores da CIT e 

valor do coeficiente Alfa (α) de Cronbach como um todo

 (tabela 2). 

 

Tabela 2 

 

Média, desvio padrão, estatística de Shapiro Wilk e CIT. 

Itens 

Média 

DP 

CIT 

Q1 

3.3 

1.0 

0.895 

<0,001 

0.572 

Q2 

3.3 

0.9 

0.872 

<0,001 

0.353 

Q3 

2.4 

1.0 

0.869 

<0,001 

0.349 

Q4 

2.9 

0.9 

0.839 

<0,001 

0.308 

Q5 

3.2 

0.9 

0.802 

<0,001 

0.464 

Q6 

2.4 

0.9 

0.878 

<0,001 

0.235 

Q7 

2.6 

0.9 

0.875 

<0,001 

0.426 

Q8 

2.8 

1.0 

0.836 

<0,001 

0.370 

Q9 

2.8 

0.9 

0.865 

<0,001 

0.348 

Q10 

3.3 

1.0 

0.877 

<0,001 

0.443 

Q11 

4.4 

2.1 

0.748 

<0,001 

0.649 

Q12 

2.3 

1.6 

0.854 

<0,001 

0.162 

Q13 

2.4 

1.2 

0.839 

<0,001 

0.227 

Q14 

2.5 

1.1 

0.850 

<0,001 

0.185 

Q15 

3.3 

0.9 

0.721 

<0,001 

0.594 

Q16 

2.4 

1.0 

0.862 

<0,001 

0.309 

Q17 

3.4 

1.2 

0.886 

<0,001 

0.403 

Q18 

3.4 

0.9 

0.867 

<0,001 

0.598 

Q19 

3.3 

2.1 

0.864 

<0,001 

0.442 

Escore 

56.6 

10.6 

0.984 

0,289 

     

Henze Zirkler’s multivariate normality test (p<0,001)

 

Fonte: Próprio autor. 

 

Confiabilidade 

 

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O Alfa (α) de Cronbach avalia a consistência interna fornecendo uma estimativa segura 

para  julgar  a  confiabilidade  do  questionário,  estimando,  quão  satisfatoriamente  os  itens  do 
instrumento  refletem  o  mesmo  construto,  de  modo  a  produzir  resultados  semelhantes,  ao 
analisar  a  maneira  como  os  resultados  são  consistentes  para  diferentes  itens  de  um  mesmo 
construto dentro da medida (Azevedo, 2013; Wagner et al., 2021). Da mesma forma, o Ômega 
(

) de McDonald traduz confiabilidade. Em ambos os testes “α” e “

” os

 valores obtidos no 

presente  estudo  foram  considerados  adequados  pois  os  valores  muito  próximos  e  elevados 
indicam  boa  confiabilidade  pelos  dois  indicadores.  Essa  confiabilidade  adequada  pode  ser 
reforçada uma vez que a exclusão de qualquer um dos itens não agregou ganho importante no 
nível de confiabilidade (tabela 3). 

 

Tabela 3 

 

Estatísticas de consistência interna para a escala e se algum item for eliminado. 

 

(α) Cronbach 

 

(

) McDonald 

Nenhum 

0.800 

0.822 

Q1 

0.780 

0.804 

Q2 

0.792 

0.817 

Q3 

0.792 

0.815 

Q4 

0.795 

0.818 

Q5 

0.788 

0.810 

Q6 

0.798 

0.822 

Q7 

0.789 

0.811 

Q8 

0.791 

0.815 

Q9 

0.793 

0.817 

Q10 

0.788 

0.814 

Q11 

0.768 

0.799 

Q12 

0.810 

0.826 

Q13 

0.799 

0.822 

Q14 

0.801 

0.825 

Q15 

0.781 

0.804 

Q16 

0.794 

0.819 

Q17 

0.789 

0.813 

Q18 

0.781 

0.803 

Q19 

0.792 

0.812 

Fonte: Próprio autor. 

 

Validade de Critério

 

 

Para a validade de critério (tabela 4), utilizou-se a medida da correlação bisserial, que 

consiste na relação entre pontuações de um determinado instrumento e algum critério externo 
exibindo  a  correlação  do  resultado  de  um  item  do  questionário  com  o  resultado  do  mesmo 
questionário, que neste caso foi a indicação do atraso de fase pelo especialista, o qual, segundo 
a  classificação  internacional  dos  distúrbios  do  sono,  é  um  distúrbio  do  ciclo  circadiano 

“caracterizado pelo atraso em iniciar o sono, em habitualmente pelo menos 2 horas, além de 

dific

uldade de despertar em horários convencionais ou socialmente determinados” (Sguillar, 

Caparroz,  2017).  Os  resultados  indicaram  a  concordância  esperada  de  que  indivíduos 
classificados como 

vespertino

s”

 tendem a exibir, em média, escore MEQ mais baixos do que 

indivíduos classificados como 

matutinos.

 

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A  correlação  entre  os  escores  do  MEQ-BR  e  a  classificação  de  especialistas  foi 

significativa (r = -0,43, p < 0,001), indicando que indivíduos classificados como vespertinos 
pelos especialistas tendiam a apresentar escores mais baixos no questionário. 
 

Tabela 4 

 

Correlações com a classificação do especialista.

 

 

Classificação Especialista (1=Atraso de fase) 

Kappa 

 

Correlação 

Q1 

-0,28 

0,005 

 

Q2 

-0,39 

<0,001 

 

Q3 

-0,26 

0,010 

 

Q4 

-0,11 

0,299 

 

Q5 

-0,08 

0,453 

 

Q6 

-0,16 

0,128 

 

Q7 

-0,21 

0,037 

 

Q8 

-0,20 

0,050 

 

Q9 

-0,02 

0,856 

 

Q10 

-0,32 

0,001 

 

Q11 

-0,44 

<0,001 

 

Q12 

-011 

0,268 

 

Q13 

-0,22 

0,031 

 

Q14 

-0,17 

0,104 

 

Q15 

-0,23 

0,025 

 

Q16 

-0,25 

0,014 

 

Q17 

-0,11 

0,299 

 

Q18 

-0,25 

0,013 

 

Q19 

-0,11 

0,275 

 

Escore 

-0,43 

<0,001 

 

Class Escala (1=MV) 

0,49 

<0,001 

0,48 

Fonte: Próprio autor. 

 

Validade de Constructo

 

 

A  Análise  Paralela  de  Horn  (figura  2)  indicou  uma  estrutura  fatorial  adequada.  A 

Análise Fatorial Confirmatória demonstrou bom ajustamento aos dados (RMSEA = 0,06; CFI 
= 0,92; TLI = 0,91), confirmando a validade estrutural do questionário. 
 

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Figura 2

 

 

Scree plot

 da Análise Paralela de Horn. 

Fonte: Próprio autor. 

 

CONCLUSÃO 

 

A  tradução  do 

Morningness-Eveningness  Questionnaire

  (MEQ)  para  a  língua 

portuguesa do Brasil (MEQ-BR), apresentou boas propriedade psicométricas confirmadas por 
um nível adequado da confiabilidade, da validade de critério e da validade do constructo. 

As  equivalências  semântica,  cultural,  conceitual  e  idiomática  foram  realizadas  de 

foram satisfatória e tiveram boa compreensão das pessoas avaliadas. 

Não houve necessidade de mudança na comunicação visual do questionário. 

 

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Recebido em: 03/09/2025 
Aceito em: 28/04/20025